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Alex Gasparetto explica como minimizar os riscos de um processo de expansão territorial no varejo

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Independente do segmento, formato e investimento envolvido, um processo de expansão de lojas nunca será simples e também não obedecerá jamais uma mera “fórmula” para o sucesso. Contudo, atentar-se para determinados fatores pode minimizar riscos, aumentar exponencialmente a possibilidade de assertividade durante os trabalhos e conquistar números impressionantes, mesmo em tempos em que a macroeconomia nacional não está favorável. Inclusive, a própria economia pode representar uma oportunidade para uma expansão ousada e definitiva. As características do negócio e os pontos de vendas pretendidos irão pautar as nossas ações.

O posicionamento estratégico no mercado em que se pretende entrar ou ampliar a participação, por exemplo, deve ser levado em consideração.  Para tanto, é preciso avaliar o comportamento do mercado, onde estão as oportunidades e se isso está claro para todos os envolvidos no processo.

As fachadas dos novos pontos de vendas irão gerar o primeiro impacto dos clientes para a nova marca ou loja. Mas seu tamanho e formato precisam estar diretamente relacionados com a sua localização. O novo empreendimento pode estar localizado em um Shopping Center, numa via expressa, em uma rua de bairro, esquina, galeria, ter a frente recuada, com ou sem estacionamento na frente. Pode ser uma loja de “passagem”, popular, de luxo, em rua de fluxo de pedestres gigantesco, ou de carros, enfim, tudo isso precisa ser analisado para que o ponto tenha o devido destaque e fique perfeitamente inserido no novo “ambiente”. Apesar disso, ainda há empresários que baseiam a localização do imóvel pelo valor da locação.

Outras perguntas que devem ser feitas: se o sentido da circulação de veículos é importante; se há uma parada de ônibus em frente ao ponto ou nas proximidades; se há uma estação de metrô por perto ou um terminal de ônibus; se há concorrentes no mesmo lado da caçada. Até a posição solar pode ser determinante para o sucesso do negócio e poucas pessoas levam isso em consideração.

O sortimento de produtos, categorias, exposição, apresentação, sinalização também são primordiais para o sucesso da loja: um estabelecimento na 25 de março, por exemplo, pode colocar pilhas de produtos nas portas e nos “pontos focais”. Mas num shopping isso nem é permitido! Se, por um lado, uma loja escura não é convidativa, onde deve estar o foco das luminárias: nos corredores, nas gôndolas, nos produtos ou no caixa? Os preços, as promoções, o visual merchandising vai depender da estrutura do ponto, de sua localização, de seu público-alvo, de possíveis sazonalidades ou características regionais ou locais, da logística.

Mas de nada adiantará trabalharmos à exaustão e com assertividade todos os fatores relatados anteriormente se houver falhas no atendimento! A equipe de vendas será sempre a força motriz dos resultados e pode até compensar alguns deslizes no planejamento. Mas não haverá nada que compense um atendimento abaixo das expectativas dos clientes. E aqui é preciso acertar na contratação, na ambientação, no perfil dos funcionários, no treinamento  – e tudo isso deve estar em sincronia com as características do ponto de vendas, que vai variar de cidade para cidade, estado e até mesmo entre bairros. O que nos remete a outro aspecto importante no sucesso da expansão no varejo: o pós-venda.

Alex Gasparetto foi gestor comercial durante 20 anos em grandes empresas como Lojas Colombo S/A, Ponto Frio, Grupo Pão de Açúcar, Mega Franquias e Rede Globo de Televisão. Atuou em todo o território nacional e na América Latina participando de expressivos processos de expansão, quando desenvolveu “cases” de sucesso nessa área. Foi convidado e passou dar aulas em universidades e palestras para grupos empresariais, inclusive no exterior, interessados em expandir seus negócios de maneira assertiva, minimizando a possibilidade de erros no planejamento e consequente retrabalho em larga escala.

Graduado em Ciências Econômicas pela UNISINOS-RS, com MBA em Gestão no Varejo (PROVAR) pela FIA-USP é Professional & Executive Coach pela Sociedade Brasileira de Coaching-SP.


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Para Tacao Kageyama, imóvel na planta é excelente negócio

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Optar por imóveis na planta pode ser um excelente negócio, sobretudo para quem procura por condições de pagamento facilitadas. Essa é a opinião do engenheiro da Honduras, Tacao Kageyama. “Mesmo com reajustes de prestações, esse investimento pode representar uma economia de até 30% comparando-se ao valor do imóvel pronto”, diz.

Para quem procura imóveis em São Paulo, Roberto Bussab, também da Honduras, dá a dica: “procure por bairros com potencial de crescimento, com previsão de melhorias em infraestrutura e vinda de grandes empreendimentos, como shoppings. Desta forma, você estará garantindo a valorização do seu patrimônio”, diz.


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Tacao Kageyama diz que estoque das construtoras é positivo para investidores

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Mesmo num cenário de incertezas nos setores político e econômico, a estabilidade do mercado imobiliário deve se manter neste ano. “Com a retomada econômica e baixa dos juros, os preços podem voltar aos níveis anteriores”, informa o engenheiro Roberto Bussab, da Honduras.

Porém, segundo o engenheiro Tacao Kageyama, também da Honduras, os preços de casas e apartamentos tendem a ficar estáveis em 2017 devido ao estoque existente. “Ainda é grande o estoque de imóveis prontos nas construtoras. Motivo pelo qual os preços são atrativos para quem quer investir na compra da sua casa própria”, afirma. “Por isso, o momento é ideal para quem quer investir em imóveis.”

 


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É melhor comprar ou alugar um imóvel?

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Não dá para negar que um dos fatores decisivos entre alugar e comprar a casa própria é a questão financeira. A locação pode ser vantajosa para quem está saindo da casa dos pais, por exemplo, porque demanda um investimento inicial mais baixo. “Contudo, o inquilino depende do proprietário para praticamente tudo. Qualquer mudança, obra ou reforma, ainda que seja com o intuito de melhorar a unidade, só pode ser realizada com a expressa autorização do dono”, explica engenheiro Tacao Kageyama, da Honduras Engenharia e Construções.

Ao investir num imóvel, por sua vez, o que se faz é aumentar o próprio patrimônio. “Mesmo que você gaste um pouco mais nas prestações de um financiamento, comprar um imóvel é garantir maior segurança para o futuro da família”, informa Kageyama. “Em caso de uma eventual necessidade, é possível locar o imóvel, tendo a possibilidade de receber uma renda passiva extra todos os meses.”

Outro fato decisivo entre alugar ou comprar a casa própria é a possibilidade de personalizar o próprio espaço. “Sendo o proprietário, você não precisa pedir autorização para reformar e decorar o imóvel, desde que o projeto e a estrutura comportem essas mudanças”, afirma o engenheiro Roberto Bussab, também da Honduras. “Você pode, por exemplo, investir em uma cozinha americana ou decidir fazer uma suíte máster.”

Venha conhecer os empreendimentos da Honduras Engenharia e Construções e invista no que é melhor para você e sua família!


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Uirá Martins mostrará as suas telas na Longboarding Experience, em Ubatuba

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O artista plástico e muralista Uirá Martins, morador de Ubatuba e quem assina as artes do Circuito Municipal Ubatuba Pro Surf nos últimos anos, irá mostrar suas telas e promoverá algumas intervenções na segunda edição do “Longboarding Experience: do clássico ao progressivo“, um encontro em que o longboarder Jaime Viúdes reúne em palestras, workshops, clínicas e sessões de surf alguns dos maiores nomes dos pranchões. O evento acontece no Hotel Porto do Eixo, localizado na praia do Sapê (Rodovia Caraguá-Ubatuba Km 76), nos dias 27 e 28 de maio, e contará com a presença do bicampeão mundial Phil Rajzman, além de Neco Carbone, Thiago Mariano, Marcelo Carbone e Felipe Siebert.

Surfista inveterado, Uirá Martins possui um estilo exclusivo e autêntico de pintar, com características do pop art e do street art. “Durante o evento, a galera poderá conhecer meu estilo de trabalho, que destaca personagens, cores e formas que remetem à minha própria história em Ubatuba”, conta. “O Longboarding Experience é uma oportunidade incrível para conhecer um pouco mais sobre o lifestyle dos longboarders e aprender algumas manobras com os mais criativos surfistas do mundo. Vou aproveitar para pegar uma onda com meus ídolos e amigos de surf, entre eles o veterano Mixirica, que é meu pai.”

Serviço:

Longborarding Experience

Hotel Porto do Eixo (Rodovia Caraguá-Ubatuba Km 76 – praia do Sapê)

Dias 27 e 28 de maio

Informações/inscrições: [email protected]


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Show Libélula, da cantora Ieda Terra, segue em turnê por São Paulo

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A voz suave de Ieda Terra embala as letras das músicas que remetem à natureza e aos costumes dos antepassados no intimista show “Libélula”, que segue em turnê por seis cidades de São Paulo, e traz direção musical do renomado músico e arranjador Ricardo Matsuda. Produzida pela Paraquedas Produções, a turnê é uma realização do governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura a partir do Programa de Ação Cultural (ProAC – Editais). Nesta quinta-feira, a cantora e banda se apresentam no Espaço Gaia, em Bauru, às 20h30. Na sexta, também às 20h30, o show será no SESC São José dos Campos.

O repertório é inspirado no álbum autoral independente e homônimo, lançado em 2015, da própria cantora, mas também inclui algumas de suas canções de estilo pop que dialogam de maneira suave e instigante com a música caipira e folclórica que fazem parte da essência da cantora.

“Eu nasci e cresci no interior de São Paulo, numa cidade chamada São Miguel Arcanjo. Por isso, o show traz um olhar todo particular sobre o meu local de origem, e a sua valorização, que se revelam nos instrumentos típicos da música caipira e folclórica”, explica Ieda Terra. “A viola caipira faz uma referência aos antigos trovadores portugueses; o violoncelo remete erudição à música popular; a percussão é uma homenagem à musicalidade latina; e a doçura da flauta transversal cria um ambiente sonoro particular, que tem tudo a ver com as canções.”

O show também faz um apelo significativo sobre a importância de se preservar a natureza e os costumes dos nossos antepassados. Além de Ieda Terra, o espetáculo conta com os arranjos e instrumentação de Moreno Overá (viola caipira e charango), Rick Solar (violão e teclado), Rafael Gandolfo Scherk (violoncelo e rabeca), Gisele Pilz (flauta transversal) e Jonathan Andreoli (percussão).

Especificações técnicas

Duração do show: aproximadamente 1 hora e 15 minutos.

Participantes: Ieda Terra (vocal), Moreno Overá (viola caipira e charango), Rick Solar (violão e teclado), Rafael Gandolfo Scherk (violoncelo e rabeca), Gisele Pilz (flauta transversal) e Jonathan Andreoli (percussão).

Conheça Ieda Terra:

Cantora e compositora, natural de São Miguel Arcanjo, interior de São Paulo, formou-se em Filosofia pela Universidade Estadual de Londrina- PR, onde acompanhou o circuito musical universitário participando de festivais como o Festival de Música de Maringá e de Londrina-PR. Na cidade de Ubatuba-SP, onde reside, integrou diversas bandas, tocando em festividades da região. Integra a banda “Os Cascudos”, do Projeto Tamar de Ubatuba, desde 2009, realizando aberturas para importantes nomes da música brasileira, tais como Milton Nascimento, Lenine, Gabriel o Pensador, Barbatuques. Ieda também foi cantora convidada para participar do espetáculo “Elas cantam Jobim” no teatro Mário Covas no ano de 2014, com a regência do maestro Bartolomeu Vaz Mendes, em Caraguatatuba.

Buscou o seu aprimoramento musical com a professora de canto Cecília Valentim (que estudou com Koellreuter), e formou-se no curso de canto “Arte do Ser Cantante” em São Paulo no ano de 2015. Estudou com Marcelo Petraglia (difusor da Antropomúsica), Ivan Vilela (professor de viola caipira da USP), Ricardo Matsuda (professor de violão), Fernando Barba (Barbatuques).

 


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Engenheiros da Honduras dão dicas sobre como estimar o valor de num imóvel

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Você sabia que o valor de um imóvel pode variar de R$ 6 mil a R$ 8 mil o metro quadrado numa mesma rua? Isso acontece porque o valor está atrelado a fatores diversos, como o andar do apartamento e o horário em que o sol bate na janela. “Andares mais altos, por exemplo, costumam ser mais caros, assim como apartamentos voltados para a face norte em regiões frias, uma vez que eles são mais ensolarados”, explica o engenheiro da construtora Honduras, Roberto Bussab. “Por isso, a precificação dos imóveis deve ser feita por quem entende do assunto”, informa.

Segundo o engenheiro Tacao Kageyama, também da Honduras, uma alternativa para quem quer ter uma referência antes de conversar com o corretor de imóveis é verificar os preços por similaridade. “O ideal é verificar entre oito e dez ofertas para montar uma estimativa, levando em consideração sempre ofertas de apartamentos do mesmo tamanho em edifícios com idade semelhante e padrão arquitetônico parecido.”

 


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Tacao Kageyama informa que renda extra é um dos motivos para investir em imóveis

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Para quem ainda tem dúvida, Tacao Kageyama, engenheiro da Honduras Engenharia e Construções, elenca, além da renda extra, a segurança como excelentes motivos para investir em imóveis.

“Investir em imóveis traz baixo risco, além de ser um patrimônio sólido, e que em prazo maior ou menor, dependendo da época,  sempre valoriza. Além disso, quem escolhe manter o imóvel anterior, além de ampliar o próprio patrimônio, também consegue obter uma renda extra com o aluguel”, explica.

Para Roberto Bussab, proprietário da Honduras,  o aumento da renda dá início a um ciclo virtuoso. “A renda extra poderá garantir a compra de novos imóveis, que melhorarão a renda e permitirão a compra de outros bens”, informa.

 


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Dicas para investir em imóveis

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Comprar a casa própria é o sonho de boa parte das famílias brasileiras. Mas há também quem enxerga imóveis como um investimento. “Muita gente pensa que investir em imóvel é coisa para quem tem dinheiro guardado. Para resolver essa questão, algumas pessoas têm formado grupos de investidores com amigos ou parentes. Claro que compartilhar o investimento lhe fará obter pequenos retornos, além de obrigá-lo a dividir os lucros, mas acumular patrimônio é um processo gradual e você precisa começar de algum lugar”, explica o engenheiro Roberto Bussab, da Honduras Engenharia e Construções.

Para quem prefere algo mais conservador, a opção de investimento em imóveis na planta pode ser uma escolha mais acessível: um imóvel antes de sua construção ser iniciada pode chegar a custar apenas 40% do valor do mesmo concluído. “A margem de lucro deste tipo de investimento é alta e, se você optar por uma construtora de confiança no mercado, como a Honduras, os riscos são extremamente baixos”, diz o engenheiro Tacao Kageyama.

Visite o site da Honduras!


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j2 entrevista a coordenadora do Instituto Federal de Pernambuco

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Jornalista que é jornalista pode até começar a trabalhar com comunicação empresarial, mas nunca deixa de lado o amor pela reportagem. É por isso que a nossa diretora de conteúdo, Juliana Tavares, faz parcerias com blogs para extravasar a vontade de contar o que descobre no dia a dia. “Não preciso conversar com celebridades para enxergar nos casos cotidianos várias histórias que valem a pena ser registradas e compartilhadas, seja por meio de contos, crônicas ou mesmo por entrevistas e matérias jornalísticas”, diz. “Conheço pessoas incríveis mas que não teriam espaço na mídia convencional porque são, ainda, desconhecidas. Ter o compromisso de escrever em parceria me estimula a escrever e me permite mostrar para o mundo que pessoas comuns também são competentes e interessantes. Muitas, inclusive, já fazem verdadeiras transformações nas comunidades em que atuam.”

Foi por isso que Juliana decidiu retomar a parceria com o blog Taco de Mulher, da amiga Carol Marçal. “É um aprendizado escrever para o Taco e trocar figurinhas com a equipe de colaboradores do canal”, afirma.

A entrevista de abertura desta nova fase do Taco (cuja primeira parte pode ser lida abaixo) foi com uma amiga de infância da jornalista, a atual coordenadora do Instituto Federal de Pernambuco, Vivian Delfino Motta. “A Vivian tem uma história incrível de ativismo junto a movimentos populares e foi quem me trouxe muitos questionamentos relacionados ao feminismo – temas que têm tudo a ver com o Taco. Fazia tempo que queria fazer uma entrevista com ela. Chegou a hora.” Leia, a seguir:

Flor do Agreste

A coordenadora de extensão rural do Instituto Federal de Pernambuco, Vivian Delfino Motta, mostra que feminismo e agroecologia, juntos, transformam realidades.

Ela saiu da periferia com uma única certeza: a de que teria muito pouca chance de errar. Achava incrível a batata germinar na dispensa da sua casa e, ainda adolescente, decidiu pesquisar quais as profissões que trabalhavam com recursos naturais. Não tinha nenhuma proximidade com o meio rural, mas, aos 13 anos, decidiu que seria agrônoma. Enfrentou adversidades, rompeu barreiras, sentiu na pele o preconceito de uma área que não respeita o negro, e que ainda não está habituada com mulheres na liderança.

Na faculdade, aproximou-se do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), onde continuou trabalhando, depois de formada, para consolidar a agroecologia nos assentamentos dos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro: uma vivência que lhe permitiu acompanhar desde a organização da militância das agricultoras e agricultores até a comercialização dos produtos agroecológicos.

Quando achava que estava no auge da carreira, descobriu-se grávida. Sem apoio e sozinha, abandonou a estabilidade que tinha conquistado a duras penas para buscar o apoio da família.

Resistiu à dor da rejeição e, tal qual a catleya, uma das orquídeas mais resistentes da natureza, capaz de oferecer a beleza de suas flores mesmo depois de passar pelas mais diversas intempéries, ela recuperou as forças. Ainda estava em processo de cicatrização quando foi chamada para integrar a equipe do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), em Brasília. Aceitou o desafio mesmo isso significando deixar parte do coração em São Paulo: seu filho, ainda bebê, teria de ficar com a avó.

Exausta dos entreves políticos, da burocracia, e das viagens intermináveis que a deixava morrendo de saudades do seu pequeno e do restante da família, ainda que entusiasmada com a chance de ver de perto a consolidação da agricultura familiar no Brasil (que, hoje, foi escamoteada pelo atual governo), decidiu que era hora de abrir mão da carreira de executiva para integrar o quadro de professores do Instituto Federal, em São Roque.

Já estava acostumada com a rotina e achando que tinha conquistado uma certa tranquilidade quando foi desafiada pelo filho. Caio queria morar com a tia, em Pernambuco. “Lá tem praia, é mais quente. E tenho saudades da minha prima”, disse-lhe o menino, então com 7 anos. O coração de Vivian palpitou e cantou feliz quando a mãe disse que a seguiria desta vez, caso decidisse se mudar. Em menos de um ano, conseguiu a transferência. Começar de novo nunca foi o problema. “Ruim mesmo é ficar longe dos meus”, disse, com a lembrança dos dias angustiantes de ponte-aérea ainda vívidos na memória.

Um ano depois, a orquídea floriu. Vivian Delfino Motta voltou a unir a excelência profissional ao amor que sempre sentiu pela agroecologia e pelo ativismo. Hoje, é coordenadora de extensão rural do Instituto Federal de Pernambuco e professora de agroecologia. Teve seu trabalho reconhecido com o documentário “Flores de Ximenes”, disponível no Youtube, por retratar um grupo de mulheres agricultoras que está conseguindo mudar a realidade de um assentamento rural na Mata Sul pernambucana.

A iniciativa faz parte de um projeto de extensão sob sua coordenação, o “Feminismo e Agroecologia”, desenvolvido em 2016. Mais que reforma agrária, o “Flores de Ximenes” mostra o suporte técnico de um Instituto Federal pode fortalecer a parceira coma comunidade e promover avanços significativos na defesa da vida e na conquista da cidadania nestas localidades. Nesta entrevista para o Taco de Mulher, Vivian fala sobre tudo isso e um pouco mais. Leia, a seguir, os principais trechos:

Quais são os desafios que você enfrenta diariamente?
O dia a dia com as alunas e alunos é maravilhoso (apesar das dificuldades). Minha didática é sempre baseada no diálogo! Não faço slides, não tenho material preparado…Estudo o assunto, me atualizo e durante a aula, construo, junto com alunos e alunas, uma troca de experiências e geração de conhecimento. O grande entrave é que essa metodologia funciona muito bem com o ensino superior e/ou os adultos do PROEJA (Programa de Educação de Jovens e Adultos), mas com os adolescentes não vai… Ainda estou aprendendo a me conectar com essa turma. Aqui no Instituto Federal somos professores multiuso: trabalhamos em todos os níveis de formação, do Ensino Médio ao Mestrado, com perfis diversos (idosos, adolescentes, agricultores, quilombolas, indígenas, pós-graduados) e isso é um enorme desafio!

Na gestão escolar, o desafio é ter espaço para ser ouvida. Acho que a gestão do IFPE é inovadora, temos uma reitora que se preocupa com temas como gênero, inclusão, sustentabilidade, mas também temos um ambiente político inóspito, um espaço machista e misógino e uma enorme dificuldade de sair do perfil tecnicista da formação para o trabalho para uma visão holística de formação de um cidadão…É um desafio, mas também é um enriquecimento (apesar de dolorido).

Como se deu o seu envolvimento com o feminismo?
Desde 2005, quando comecei a trabalhar com o Movimento de Mulheres Camponesas me envolvi, me identifiquei e me comprometi com a demanda das mulheres, principalmente as não urbanas, entre elas as rurais, as pertencentes aos povos da floresta, ribeirinhas, pescadoras, quilombolas, indígenas, que até podem viver em um ambiente urbano mas não têm em sua essência a prática cotidiana da vivência citadina. Apesar disso, eu ainda tinha medo de dizer que era feminista! Tinha receio do estereótipo e de ter que defender esse posicionamento. Para sustentar essa afirmação fui estudar, me unir aos movimentos feminista e me empoderar.

Como as mulheres do assentamento estavam antes de serem envolvidas no projeto e em que momento o projeto Flores de Ximenes está agora?
Antes do projeto elas não se conheciam. Tinham as mesmas preocupações, gostavam das mesmas coisas, se viam nas estradas que as levavam à cidade, mas a intimidade http://www.tacodemulher.com.br/?p=2726&preview=trueera nula. Já havia um desejo de mudança da realidade! Era nítido que elas já tinham uma inquietação, mas faltava ânimo e mobilização para que houvesse a formação do coletivo.


De que maneira o protagonismo feminino pode transformar realidades em comunidades como a retratada no documentário Flores de Ximenes?

A maneira como aprendemos a perceber a existência está sob o ponto de vista dos homens. O feminismo, por sua vez, permite que as mulheres pensem sobre sua existência (ou inexistência). A partir dele, a gente se identifica. Por ele, nos empoderamos para falar sobre o que nos violenta, anula ou amarra e permite que mudemos nossa essa existência em busca do bem viver. É isso que nós estamos fazendo juntas no assentamento Ximenes. Mas é pouco. O feminismo está em dívida com as mulheres rurais, não vejo muitos trabalhos que façam um recorte de feminismo para a realidade dessas mulheres. Acho que esse feminismo branco, cunhado na realidade das mulheres europeias não atende à demanda das camponesas, não discute as especificidades delas… Então, ainda temos muito o que caminhar…Mas não estamos paradas.

Quais as expectativas para o projeto nos próximos anos?
A perspectiva é que não haja “próximos anos”. A ideia é fortalecer esse coletivo, consolidando essa união e que depois as flores e o assentamento Ximenes andem com suas próprias pernas. Eu não sou uma flor de Ximenes, não sou agricultora, minha interferência é emancipatória. Elas são totalmente capazes de modificar a sua realidade e interferir nos pontos que devem ser mudados. O que estamos fazendo é aproximar o grupo Flores de Ximenes com os movimentos de representação, com a rede que pode apoia-las nas ações. Mas acredito que se tudo der certo, em 2018 iremos iniciar o trabalho em outra comunidade.

 

 


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